Guilherme da Cruz Silveira

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Modelos de decisão: como testar a IA antes de automatizar um processo

  • Guilherme Silveira
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Um roteiro para testar modelos de decisão como Clef: delimitar etapas, avaliar o custo do erro e definir exceções antes de automatizar processos.

Mão ajusta peça metálica de máquina com conexões de cobre, em close

Um teste de IA pode acertar quase todos os exemplos e ainda falhar justamente no caso que exige intervenção. Para decidir se uma etapa pode ser automatizada, a gestão precisa saber onde estão os erros e qual é a consequência de cada um.

Em 1º de outubro de 2026, a Cloudflare lançou Clef e Clef-flash, modelos de decisão disponíveis no Workers AI. Eles recebem os dados de uma situação e perguntas com formatos definidos, como sim ou não e escolha entre opções. As respostas incluem probabilidades em uma estrutura que outro sistema pode usar. Fonte: registro oficial do lançamento

Antes de aplicar um modelo desse tipo, é preciso delimitar a decisão, preparar exemplos e definir quais resultados permitem seguir. O roteiro abaixo propõe uma avaliação para a empresa. Não relata testes próprios de Clef ou Clef-flash.

Delimite a decisão e o custo do erro

“Automatizar o atendimento” é um objetivo amplo demais para orientar um teste. “Indicar a equipe responsável por cada solicitação” permite definir as informações de entrada, os destinos possíveis e a resposta esperada. A aprovação deve valer apenas para essa etapa.

Considere um processo hipotético de manutenção. Um formulário descreve o problema em um equipamento, e a IA sugere a fila de atendimento. O teste deve especificar quais informações estarão disponíveis no momento da análise, inclusive o que pode estar ausente.

Separe os erros por consequência. Enviar uma solicitação comum para revisão adicional aumenta o trabalho da equipe. Deixar de reconhecer um relato que exige atenção imediata pode atrasar uma providência necessária. A média geral de acertos mistura essas situações e pode esconder a falha mais grave.

Combine as regras de aceitação antes de olhar os resultados. A área responsável pelo processo deve dizer quais falhas impedem o avanço, quais admitem correção durante o piloto e quem tem autoridade para interrompê-lo.

Monte exemplos que representem o trabalho real

Use registros que a empresa esteja autorizada a tratar, com os cuidados de privacidade e acesso aplicáveis. Inclua solicitações frequentes, descrições incompletas e casos que costumam gerar dúvidas na equipe. Escolher apenas exemplos claros torna o teste mais fácil que a operação.

Para cada registro, documente a resposta esperada e o critério usado. Se dois profissionais experientes discordam sobre o destino, reveja a regra antes de avaliar a IA. A divergência pode revelar uma categoria mal descrita ou uma exceção ainda sem responsável.

Reserve uma parte dos exemplos para a avaliação final. Se as instruções forem ajustadas repetidamente com base em todos os casos, o desempenho nesses mesmos registros não servirá como verificação independente.

Compare o modelo com o processo atual e com uma alternativa simples, quando ela existir. Uma regra direta pode resolver uma etapa previsível. Nos demais casos, registre o que a IA acrescenta e quais erros novos aparecem.

Defina quando o resultado pode ser usado

A API de Clef aceita perguntas de sim ou não, escolha entre opções e avaliação por uma escala ordenada. As saídas incluem probabilidades; nas perguntas de escolha, também há uma opção selecionada e um valor de confiança. Fonte: documentação do lançamento

Compare esses valores com os resultados observados nos exemplos da empresa. Uma probabilidade alta não comprova que a classificação esteja correta nem dispensa a conferência de campos obrigatórios e regras que dependem de dados confirmados.

O piloto pode começar com recomendações visíveis apenas para a equipe, sem execução automática. Compare a indicação com a decisão humana e revise as diferenças. Quando faltar informação ou surgir uma situação fora do escopo, o fluxo precisa encaminhar o caso para análise.

Defina também as permissões do sistema que receberá a resposta. O modelo classifica; o código ao redor dele pode encaminhar, registrar ou solicitar uma ação, conforme as regras implementadas. Essas permissões limitam o que o sistema pode fazer mesmo quando a classificação está errada.

Acompanhe os erros depois de aprovar o piloto

Registre a versão do modelo, as instruções e os critérios usados em cada avaliação. Mantenha um responsável pelas exceções e um caminho para voltar ao procedimento anterior se os resultados piorarem.

Acompanhe o desempenho por categoria, os casos que deveriam ter ido para revisão e não foram, o volume de correções humanas e o tempo total do processo. Na conta de custos entram integração, operação e revisão, além do uso do modelo.

Quando uma instrução, categoria ou versão mudar, repita os testes antes de ampliar o uso. Os novos casos encontrados na operação devem entrar nas próximas avaliações, respeitando os limites de uso dos dados.

Para aprovar a automação, a equipe precisa conseguir mostrar quais casos testou, quais falhas encontrou e como vai contê-las. Se essas respostas ainda faltam, mantenha a revisão humana e corrija o teste antes de liberar a execução.

Publicado antes em dg5i.com.br.