OpenAI diz ter identificado quase 100 artigos sob identidades jornalísticas falsas
Um relatório da OpenAI descreve duas operações de influência que combinaram modelos de IA e táticas tradicionais. Na operação iraniana, a empresa diz ter encontrado quase cem artigos publicados ou distribuídos sob sete identidades de jornalistas. O relato distingue circulação em veículos de repercussão em redes sociais e registra limites de verificação.

A identidade abriu caminho para os artigos
Em 8 de outubro, a OpenAI publicou um relato sobre operações que, segundo a empresa, usaram seus modelos em campanhas ligadas à Rússia e ao Irã. O objetivo descrito era inserir mensagens geopolíticas em públicos externos, para além dos canais controlados pelos próprios operadores. No caso iraniano, operadores usaram sete identidades apresentadas como jornalistas e recorreram aos modelos para revisar artigos e propostas enviados a veículos online.
A empresa afirma ter identificado quase cem artigos publicados ou distribuídos sob essas identidades, em cerca de uma dúzia de veículos pequenos e médios. O relatório também descreve uma operação russa que parece ter usado uma entidade apresentada como centro de pesquisa e colaboradores na América Latina. Segundo a avaliação publicada pela OpenAI, essas pessoas não sabiam que trabalhavam para um grupo russo.
Os dois casos, conforme o documento, combinaram modelos com táticas tradicionais. A OpenAI ressalva que nem todo conteúdo publicado foi produzido por seus modelos. O mecanismo descrito dependeu também de identidades, propostas editoriais e canais de publicação, uma cadeia que a simples leitura do texto não revela.
Publicação não prova impacto
O relatório separa a circulação dos artigos da atividade em redes sociais. A OpenAI diz que os comentários ligados à operação iraniana tiveram pouca interação identificável. Também afirma que os operadores usaram cálculos enganosos para exagerar o alcance de suas ações.
Há outra ressalva importante sobre a operação russa: parte das histórias que os operadores diziam ter disseminado não foi localizada ou corroborada em buscas abertas. A OpenAI afirma ter cruzado relatórios internos com conteúdo e verificações disponíveis publicamente; algumas alegações foram corroboradas, outras não. Assim, os números e atribuições devem ser lidos como descobertas reportadas pela empresa, não como auditoria independente de toda a campanha.
A checagem começa antes do texto
Para empresas que recebem análises, propostas ou pesquisas externas, fluência e aparência profissional não bastam para confirmar uma fonte. Uma verificação prática pode checar a identidade e o histórico do autor, a existência e o financiamento da instituição, as fontes originais e o vínculo entre quem publica e quem produziu o material.
Esses passos não garantem que a informação esteja correta. Eles ajudam a evitar decisões baseadas apenas na forma do conteúdo e deixam registrado quem conferiu a evidência. Em temas de reputação, investimento ou comunicação pública, essa cadeia de origem pode importar tanto quanto a revisão factual do texto.
Fonte consultada
- OpenAI, “Disrupting AI-enabled ‘false front’ operations”, 8 de outubro de 2026.
Publicado antes em dg5i.com.br.